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El Niño extremo pode custar 2% do PIB da América Latina, alerta CEPAL

Relatório das Nações Unidas aponta riscos para a agricultura, energia, pesca e renda das famílias caso o fenômeno alcance intensidade excepcional

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Redação Jundiaí.net
Publicado em 24/09/2026 às 14:00
El Niño extremo pode custar 2% do PIB da América Latina, alerta CEPAL
El Niño pode alterar o regime de chuvas e afetar agricultura, geração de energia e pesca na América Latina.

A América Latina e o Caribe podem enfrentar uma nova pressão sobre a economia caso o atual episódio de El Niño alcance uma intensidade excepcional. Um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), órgão regional das Nações Unidas, estima que um evento extremo poderia provocar uma perda acumulada de pelo menos 2% do Produto Interno Bruto (PIB) da região ao longo de três anos.

O impacto não ficaria restrito aos indicadores econômicos. Segundo a CEPAL, a redução da atividade e da renda poderia levar até 4,8 milhões de pessoas adicionais à pobreza até o fim da década, em comparação com um cenário sem a ocorrência do fenômeno.

Um fenômeno que vai muito além da temperatura

O El Niño acontece quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal. Essa mudança interfere na circulação atmosférica e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

Os dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte entre 2026 e 2027.

O relatório da CEPAL também trabalha com a possibilidade de um episódio de magnitude histórica, chamado de “Super El Niño” no estudo. A classificação está associada a anomalias elevadas da temperatura das águas na região Niño 3.4, uma das áreas utilizadas para acompanhar o fenômeno.

Agricultura pode sentir os efeitos primeiro

Entre os setores mais expostos estão a agricultura e a produção de alimentos. Mudanças no volume e na distribuição das chuvas, combinadas com temperaturas mais altas, podem prejudicar o desenvolvimento de lavouras e aumentar a necessidade de irrigação.

Os efeitos, porém, variam bastante de um país para outro. Enquanto algumas regiões podem enfrentar períodos mais secos, outras podem registrar chuvas acima do normal. É justamente essa irregularidade que torna o planejamento mais difícil para produtores, empresas e governos.

Energia e abastecimento também entram no radar

O setor elétrico é outro ponto de atenção. Países que dependem das hidrelétricas podem enfrentar dificuldades caso a redução das chuvas comprometa o nível dos reservatórios. Ao mesmo tempo, temperaturas mais elevadas podem aumentar o consumo de eletricidade devido ao uso de sistemas de refrigeração.

Esse cenário pode elevar os custos de geração e exigir maior participação de outras fontes de energia, dependendo das condições encontradas em cada país.

Pesca também pode sofrer impactos

As consequências chegam ainda ao mar. O aquecimento das águas do Pacífico modifica a circulação de nutrientes e pode alterar a disponibilidade de espécies importantes para a pesca.

A CEPAL lembra que episódios anteriores de El Niño de grande intensidade provocaram quedas expressivas nas capturas. Para comunidades que dependem diretamente da atividade pesqueira, mudanças desse tipo podem representar perda de renda e pressão adicional sobre os preços dos alimentos.

Preparação pode reduzir os prejuízos

O relatório da CEPAL defende que os países aproveitem o período de preparação para fortalecer medidas de prevenção e resposta. Entre as estratégias estão investimentos em infraestrutura mais resistente a eventos climáticos, mecanismos financeiros de emergência e maior integração entre os sistemas de energia.

A intensidade real do fenômeno ainda será determinante para dimensionar seus efeitos. Por isso, mais do que tratar as projeções como um resultado certo, o alerta serve para chamar atenção para os riscos econômicos e sociais de um El Niño excepcional.

Para a América Latina, a questão é especialmente relevante porque os efeitos do clima podem atingir simultaneamente setores importantes da economia, da produção de alimentos ao fornecimento de energia.

Tags: ##jundiai #economia #sustentabilidade #clima #agro #elniño #onu #cepal

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