Uruguai autoriza Brasil a usar excedente de cota de carne para a China
País vizinho autorizou o Brasil a utilizar parte do volume que não foi usado de sua própria cota; operação ainda depende de regras definidas pela China.
Brasil já atingiu o limite de 1,106 milhão de toneladas previsto para 2026; uso da cota uruguaia ainda depende da definição das regras pela China.
O Uruguai autorizou o Brasil a utilizar parte do excedente de sua cota de exportação de carne bovina para a China. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira (21), após um encontro com o presidente uruguaio Yamandú Orsi, em Nova York.
Lula afirmou, em uma publicação nas redes sociais, que agradeceu a autorização para que o Brasil possa utilizar o saldo da cota uruguaia. A medida ocorre depois de os frigoríficos brasileiros atingirem o limite estabelecido pela China para as exportações de carne bovina em 2026.
Apesar do anúncio, a utilização desse volume não é automática. A China ainda precisa definir como o eventual uso da cota uruguaia pelo Brasil será operacionalizado. Até o momento, não havia confirmação pública do governo chinês sobre a transferência.
Brasil já esgotou sua cota em 2026
Desde janeiro, a China aplica uma salvaguarda sobre as importações de carne bovina de diferentes países fornecedores. Para o Brasil, foi estabelecida uma cota de 1,106 milhão de toneladas para 2026.
Dentro desse limite, a carne brasileira está sujeita à tarifa de importação de 12%. Depois que a cota é ultrapassada, passa a incidir uma sobretaxa de 55% sobre o volume excedente, além da tarifa de importação. Na prática, a carga tarifária chega a 67% para as toneladas que ficam fora da cota.
O limite brasileiro foi atingido em menos de sete meses. Com o esgotamento antecipado, os embarques para o mercado chinês perderam ritmo, levando o setor a buscar alternativas para a comercialização da produção.
Uruguai ainda tinha espaço disponível
O Uruguai recebeu uma cota de 324 mil toneladas para 2026. Parte desse volume não foi utilizada, e é justamente esse excedente que poderá ser aproveitado pelo Brasil, caso a China autorize e estabeleça as condições para a operação.
Ainda não foi divulgado oficialmente quanto do saldo uruguaio poderá ser utilizado pelos exportadores brasileiros. Por isso, não há até o momento um número definitivo de toneladas que serão acrescentadas à capacidade de exportação do Brasil.
Impacto ainda depende da China
A medida pode abrir espaço para novos embarques brasileiros ao mercado chinês, mas o efeito imediato ainda é incerto. Além da autorização chinesa, será necessário definir os procedimentos para utilização do saldo, realizar os trâmites comerciais e organizar os embarques.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considerou positiva qualquer iniciativa que amplie o acesso da carne brasileira ao mercado chinês, mas o setor também avalia que o tempo restante de 2026 limita o impacto prático da medida.
Para o próximo ano, a cota brasileira prevista pela China sobe para 1,128 milhão de toneladas. O aumento, porém, é de aproximadamente 22 mil toneladas em relação ao limite de 2026, o que mantém a discussão sobre o ritmo dos embarques ao longo do ano.
China é o principal mercado da carne brasileira
A China tem papel central nas exportações brasileiras de carne bovina. Por isso, a antecipação do esgotamento da cota de 2026 trouxe preocupação ao setor, que passou a buscar alternativas para manter o fluxo de vendas ao país asiático.
Os dados também mostram o impacto sobre os embarques. Segundo informações divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o volume exportado em agosto caiu 27,1% em relação ao mesmo mês de 2025.
O eventual aproveitamento do saldo uruguaio poderá ajudar a ampliar novamente o espaço para a carne brasileira no mercado chinês, mas o resultado dependerá das regras que serão definidas por Pequim e do tempo disponível para a realização dos embarques em 2026.
O que está definido até agora
- Cota brasileira em 2026: 1,106 milhão de toneladas.
- Cota uruguaia em 2026: 324 mil toneladas.
- Tarifa dentro da cota: 12%.
- Sobretaxa fora da cota: 55%.
- Carga tarifária fora da cota: 67% considerando as duas cobranças.
- Cota brasileira prevista para 2027: 1,128 milhão de toneladas.
- Volume que o Uruguai disponibilizará ao Brasil: ainda não informado oficialmente.
- Autorização da China: ainda necessária para definir como o saldo poderá ser utilizado pelo Brasil.
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