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O que falta para o Rio Jundiaí avançar mais na recuperação da qualidade da água?

Após décadas de investimentos em saneamento, o manancial entrou em uma nova fase de desafios, que envolve drenagem urbana, poluição difusa, ocupação do território e fiscalização ambiental.

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Redação Jundiaí.net
Publicado em 26/09/2026 às 14:00
O que falta para o Rio Jundiaí avançar mais na recuperação da qualidade da água?
Rio Jundiaí, em Jundiaí (SP), em trecho cercado por vegetação e infraestrutura urbana. Imagem ilustrativa produzida digitalmente.

A recuperação do Rio Jundiaí entrou em uma etapa diferente. Depois de décadas de investimentos em coleta e tratamento de esgoto, a discussão sobre a qualidade da água agora envolve problemas que vão além do lançamento de esgoto doméstico e industrial.

Esse foi um dos principais assuntos da 7ª edição do encontro “Conversando sobre o Rio Jundiaí – Ele passa por aqui”, realizado na quarta-feira (23), no auditório Planeta Água, da DAE Jundiaí. O evento reuniu representantes de órgãos públicos, empresas de saneamento, instituições e especialistas ligados à gestão dos recursos hídricos.

A recuperação do rio começou há décadas

O Rio Jundiaí tem uma história marcada por forte degradação ambiental, principalmente em razão do lançamento de efluentes domésticos e industriais.

A recuperação foi construída ao longo de décadas, com participação de municípios, órgãos ambientais, empresas de saneamento e Comitês PCJ. Em Jundiaí, os investimentos em redes de coleta e estações de tratamento de esgoto tiveram papel importante nesse processo.

Um dos principais marcos ocorreu em 2017, quando o último trecho que ainda estava enquadrado como Classe 4 foi alterado para Classe 3. A decisão foi referendada pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos de São Paulo por meio da Deliberação CRH nº 202/2017.

Com isso, o Rio Jundiaí tornou-se o primeiro rio do país a ter seu enquadramento totalmente alterado de Classe 4 para Classe 3.

A mudança não significa, porém, que todos os problemas de qualidade da água tenham desaparecido.

O desafio agora é manter e efetivar a Classe 3

O acompanhamento da qualidade da água mostra que ainda existem parâmetros que precisam ser monitorados e melhorados para que as condições do rio estejam de acordo com as metas estabelecidas para o enquadramento.

Em 2025, os Comitês PCJ já haviam destacado problemas relacionados a alguns indicadores e apontado a necessidade de ampliar a coleta e melhorar a eficiência do tratamento de esgoto, recuperar matas ciliares, fazer manejo adequado do solo, reforçar o licenciamento e a fiscalização e revisar metas e cronogramas quando necessário.

A discussão de 2026 amplia esse olhar.

A chuva também leva poluição para o rio

Quando se fala em despoluição de um rio, é comum pensar primeiro no esgoto. Mas a água da chuva também pode carregar uma quantidade significativa de materiais presentes nas cidades.

Óleo, sedimentos, resíduos, partículas e outros poluentes acumulados nas ruas podem ser transportados pela drenagem urbana até córregos e rios.

Por isso, a drenagem das cidades passou a ocupar espaço maior nas discussões sobre a bacia do Rio Jundiaí. O controle da chamada poluição difusa depende de ações que envolvem não apenas o saneamento, mas também planejamento urbano, manejo do solo e ocupação adequada do território.

Ocupação urbana entra no debate

Outro ponto discutido no encontro foi a relação entre o crescimento das cidades e a preservação da bacia hidrográfica.

Novos loteamentos, expansão urbana, impermeabilização do solo e alterações na drenagem podem modificar a forma como a água chega aos cursos d'água.

Para os participantes do debate, acompanhar essas transformações é importante para evitar que avanços obtidos com o saneamento sejam prejudicados por novos impactos ambientais.

A questão deixa de ser apenas “quanto esgoto está sendo tratado?” e passa também por “como o território está sendo ocupado?”.

Licenciamento ambiental será acompanhado

O licenciamento ambiental municipalizado também entrou na pauta.

Segundo informações divulgadas após o encontro, a Câmara Técnica de Outorgas e Licenças (CT-OL) dos Comitês PCJ deverá discutir os impactos desse modelo sobre a Bacia do Rio Jundiaí e sua relação com a efetivação do enquadramento.

A proposta é acompanhar como as decisões tomadas no âmbito municipal podem interferir nas metas de qualidade da água da bacia.

Não se trata apenas de impedir novos impactos. O objetivo é fazer com que decisões sobre ocupação e desenvolvimento do território sejam consideradas dentro de uma visão mais ampla da bacia hidrográfica.

A recuperação não termina com o reenquadramento

O caso do Rio Jundiaí mostra que melhorar a qualidade de um rio é um processo de longo prazo.

O reenquadramento para Classe 3 foi um marco importante, mas não encerra o trabalho. A qualidade da água precisa continuar sendo monitorada, e as condições observadas no rio precisam ser comparadas continuamente com as metas estabelecidas.

Durante o encontro, o diretor-presidente da Agência das Bacias PCJ, Sergio Razera, destacou que o enquadramento exige acompanhamento permanente.

A nova fase do Rio Jundiaí, portanto, envolve uma combinação de fatores: saneamento, drenagem, preservação das áreas naturais, uso do solo, fiscalização e planejamento urbano.

A pergunta agora não é apenas como recuperar o rio, mas como evitar que os avanços conquistados nas últimas décadas sejam perdidos enquanto as cidades continuam crescendo.

Fontes

  • DAE Jundiaí — informações sobre o 7º encontro e a trajetória de recuperação do manancial.
  • Agência das Bacias PCJ — informações sobre o reenquadramento e acompanhamento da qualidade da água.
  • Comitês PCJ — informações sobre a Câmara Técnica de Outorgas e Licenças e o projeto “Conversando sobre o Rio Jundiaí”.
  • Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos de São Paulo — informações sobre o reenquadramento do Rio Jundiaí.
Tags: #jundiai #meio-ambiente #rio-jundiai #dae #sustentabilidade

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